O artigo da Você RH traz dados alarmantes — mas que, infelizmente, fazem parte do nosso cotidiano.
Embora o foco esteja na área de Recursos Humanos, todos nós estamos sujeitos a tentativas de ataques cibernéticos diariamente.
No âmbito pessoal, quem nunca recebeu uma mensagem por SMS, WhatsApp ou outro canal com uma tentativa de golpe? Muitas vezes, ele vem disfarçado de um link para rastrear uma encomenda ou de um arquivo que, ao ser aberto, pode infectar seu celular ou computador.
No ambiente corporativo, o e-mail continua sendo uma das principais ferramentas de trabalho — e, por isso mesmo, é o canal preferido dos cibercriminosos. É por ali que surgem as maiores tentativas de ataque.
Esses ataques não são novidade. O que permanece constante é o elo mais fraco da cadeia: o ser humano. Mesmo com ferramentas de segurança cada vez mais sofisticadas, basta um clique em um link malicioso ou o preenchimento de um formulário falso para que todo o sistema seja comprometido. Algumas soluções até alertam sobre sites suspeitos, mas nenhuma tecnologia é infalível diante de um clique desatento.
Não é só o pessoal de RH que pode cair em golpes. Já vi um profissional experiente da área de TI, esperando ansiosamente por um livro, receber um SMS com um link para liberar uma encomenda. O valor era baixo — cerca de R$10 — e, distraído, ele clicou e inseriu os dados do cartão de crédito. Minutos depois, o cartão já havia sido usado em diversas compras. Felizmente, ele conseguiu bloquear as transações a tempo.
Agora imagine se, em vez de um cartão pessoal, fossem os dados sensíveis de um funcionário? Ou o acesso ao sistema de folha de pagamento da empresa?
Em outro caso que presenciei, um banco teve todos os seus computadores infectados por um ransomware. Enquanto os sistemas estavam travados, os criminosos realizavam transferências para contas internacionais. A origem do ataque? Um simples clique em um link malicioso feito pela assistente da diretoria, que tinha acesso aos computadores com credenciais privilegiadas. O vírus instalado capturava tudo o que era digitado, incluindo senhas de acesso aos servidores.
Esse caso levanta uma questão importante: será que toda a diretoria precisava ter acesso aos servidores? Será que não havia uma forma mais segura de a assistente acessar apenas a agenda da diretoria? O princípio do “need to know” (necessidade de saber) poderia ter evitado esse desastre.
O RH lida com uma quantidade enorme de dados sensíveis: informações pessoais, bancárias, médicas e contratuais. Para os fraudadores, é como pescar em um lago cheio de peixes, a chance de fisgar alguém é muito maior.
Desenvolvi uma aplicação para verificar se um link é confiável e até mesmo para identificar se um vídeo é falso. Mas os golpistas estão sempre inovando. Ferramentas técnicas ajudam, mas podem tornar a experiência do usuário mais difícil. Existe um equilíbrio possível? Sim, mas isso depende muito da cultura e da estrutura de cada empresa.
Se você tem dúvidas sobre a segurança do ambiente digital da sua empresa, me procure. A conversa pode ser o primeiro passo para evitar um grande problema.
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Chief Technology Officer
Marcelo Assahina é Chief Technology Officer na iPremi e no Grupo Clínica Senhor do Bonfim, com sólida trajetória em inovação, tecnologia e liderança estratégica. Atuou em empresas como IBM, Avanade/Accenture, Microsoft e Instituto de Pesquisas Eldorado (Apple) liderando iniciativas de transformação digital, cloud computing e desenvolvimento de soluções para grandes corporações. Bacharel em Ciências da Computação pela Unicamp e com MBA pela Fundação Dom Cabral, Marcelo combina visão de negócios com profundo conhecimento técnico, tendo contribuído com projetos no Brasil e no exterior. Atualmente, dedica-se à aplicação da tecnologia para impulsionar resultados sustentáveis e experiências mais humanas no ambiente corporativo.