Homero talvez tenha escrito o maior tratado sobre pertencimento da história. Só que nós insistimos em chamá-lo de poema épico.
A maioria das pessoas resume "A Odisseia" à história de um homem tentando voltar para casa, mas essa leitura é superficial.
Odisseu não atravessa mares apenas para encontrar Ítaca. Ele atravessa a si mesmo.
Porque Ítaca nunca foi uma coordenada geográfica. Era um lugar onde sua identidade fazia sentido.
Isso me fez pensar no mundo corporativo.
Falamos exaustivamente sobre propósito. Construímos EVP's, desenhamos jornadas do colaborador, medimos engajamento, retenção e eNPS. Tudo importante. Contudo, talvez exista uma pergunta anterior a todas elas:
Onde as pessoas encontram sua Ítaca?
Nem sempre é na empresa mais famosa. Nem aquela que paga melhor. Muito menos a que coleciona prêmios.
É na organização em que elas deixam de gastar energia tentando provar quem são e passam a investir essa energia em construir algo relevante.
Esse é o verdadeiro significado de pertencimento.
Pertencer não é concordar com tudo. Não é pensar igual. Não é permanecer por comodidade.
É reconhecer uma narrativa da qual você deseja fazer parte.
Talvez seja por isso que culturas fortes não são construídas por benefícios, discursos inspiradores ou campanhas internas. São construídas quando as pessoas conseguem responder, quase intuitivamente, a uma pergunta silenciosa:
A minha história cabe aqui?
Se a resposta for sim, nasce um vínculo que nenhum bônus compra.
No fim, Homero talvez estivesse falando menos sobre o retorno de um herói e mais sobre uma necessidade profundamente humana: todos procuramos um lugar onde nossas competências sejam valorizadas, nossas diferenças respeitadas e nossa presença faça falta quando não estamos.
Todos temos uma Ítaca.
E as melhores organizações são aquelas que ajudam as pessoas não apenas a chegar lá, mas a perceber que, finalmente, encontraram um lugar ao qual vale a pena pertencer.
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Managing Director para a América Latina da Alvarez&Marsal
Com mais de 20 anos de experiência em gestão de pessoas, desenvolvimento organizacional e inovação, ao longo de sua trajetória, liderou iniciativas estratégicas em liderança, mentoring, inovação, impacto social, diversidade e ESG, além de criar programas voltados ao crescimento de talentos e ao fortalecimento da cultura organizacional. Psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com pós-graduação em Psicanálise e Psicopatologia, combina visão humanizada e foco em resultados, sendo uma defensora ativa da inclusão, da equidade e do empoderamento feminino.