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Recursos Humanos

Como Napoleão nos ajudou a criar mais de 50 mil agentes de IA em 6 meses

19 de June de 2026
Tempo de leitura: 7 min

Napoleão Bonaparte tinha uma regra: primeiro entre na batalha, depois descubra como vencer. Foi exatamente o que fizemos.

O desafio

Recebemos uma meta ousada: criar 10 mil agentes de IA em 6 meses na Prosus e suas empresas do ecossistema. Olhamos para o número e pensamos: por que não 30 mil?

Mas o problema real não era o número. Era a cabeça das pessoas.

Seis meses atrás, a maioria dos 40 mil funcionários do ecossistema Prosus acreditava que criar um agente de IA não era responsabilidade deles. "Isso é coisa do time de AI." Advogados, financeiro, RH, marketing, operações. Todos achavam a mesma coisa.

E aqui mora o insight mais importante deste artigo: a maior barreira para adoção de AI em qualquer empresa não é a tecnologia. É a crença de que "isso não é pra mim."

A abordagem de Napoleão

Decidimos não esperar até ter tudo planejado. Entramos na batalha.

Mas entramos com método. Usamos o framework MAP do Professor BJ Fogg: Motivação, Aptidão e Provocação.

  • Motivação: mostramos na prática como um agente podia transformar o dia a dia de cada pessoa. Não em termos abstratos. Em termos de "isso aqui vai te economizar 3 horas por semana." Quando alguém vê o impacto no próprio trabalho, a resistência derrete.
  • Aptidão: convidamos todos para workshops com uma promessa simples: você vai sair daqui com o seu próprio agente. Em uma hora. Sem precisar saber programar. Sem pré-requisito técnico. O segredo foi tornar o primeiro passo tão pequeno que era impossível fracassar. A partir de agora construir um agente faz parte do onboarding de todo mundo que entra na Prosus.
  • Provocação: quem não gosta de uma boa competição? Criamos o "Prosus Got AI Talent", uma competição interna onde as melhores ideias ganhavam a chance de apresentar e participar de um treinamento em Stanford. Esse foi o gatilho. De repente, todo mundo queria participar.

O que aconteceu na prática

A transformação foi quase física. Dava para ver nos workshops. Pessoas que entravam na sala dizendo "eu não sei nada de AI" saíam uma hora depois com um agente funcionando e os olhos brilhando.

E aí aconteceu algo que nenhuma meta consegue provocar sozinha: as pessoas começaram a ensinar umas às outras. O jurídico mostrava para o financeiro. O RH mostrava para operações. Virou cultura.

Os agentes começaram como estagiários simples. Depois viraram analistas. Depois seniores. Hoje, muitos já operam em níveis avançados de autonomia. Um agente no iFood, por exemplo, faz o trabalho equivalente a 40 pessoas e é usado diariamente por mais de 200 colaboradores.

O resultado? Saímos de 1.600 agentes em janeiro de 2025 para mais de 50 mil hoje. A meta era 30 mil. Passamos com folga.

O que o RH pode aprender com isso

Se você trabalha com RH e quer criar um ambiente propício para experimentação com IA na sua empresa, aqui vai o que eu aprendi:

Comece pela motivação, não pelo treinamento

Antes de ensinar, mostre. Deixe as pessoas sentirem o impacto de um agente no próprio trabalho. Quando a motivação é real, o aprendizado acontece sozinho.

Torne o primeiro passo ridiculamente fácil

Se a pessoa precisa de 3 semanas de curso para criar o primeiro agente, você já perdeu. Nossos workshops tinham uma hora. Uma hora e a pessoa saía com algo funcionando. Esse é o momento "eu consigo" que muda tudo.

Use competição como catalisador

O Prosus Got AI Talent não foi só uma competição. Foi uma forma de dar visibilidade, reconhecimento e um prêmio aspiracional (Stanford!) para quem se destacasse. Incentivos funcionam. Na dúvida do que dá um “click” para as pessoas, ofereça o máximo que conseguir: reconhecimento, retorno financeiro, aprendizado, eficiência, etc.

Conecte a criatividade à avaliação de desempenho

Quando a criação de agentes entrou como critério de performance e bônus, o sinal ficou claro: isso não é brincadeira, é estratégia.

Espalhe especialistas, não centralize

Em vez de um time de AI isolado, colocamos especialistas vinculados em cada área. O conhecimento precisa estar perto de quem vai usar. Agora entramos na fase de menos volume e mais valor, estamos desenhando um treinamento de aprofundamento para termos pelo menos uma pessoa especialista em cada área, pois agentes extremamente complexos não se aprende a desenvolver em apenas uma hora.

Aceite a bagunça do começo

Napoleão sabia que o plano perfeito não existe. Os primeiros agentes foram simples, imperfeitos, às vezes até bobos. Mas cada um deles era uma pessoa quebrando a barreira mental. E isso vale mais do que qualquer ferramenta sofisticada.

Cultura acima de tecnologia

A lição mais importante de toda essa jornada é uma só: o que fez a diferença não foi a ferramenta de AI que escolhemos. Foi a cultura que criamos ao redor dela.

Quando as pessoas perceberam que podiam fazer isso, a adoção explodiu.

A tecnologia muda a cada 6 meses. A cultura que você constrói hoje fica para sempre.

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