De onde vem o sucesso?
Ao longo da minha trajetória, já vi muita gente dar certo na carreira, mas mais ainda dando errado. Algumas pessoas acham que eu tenho/tive sucesso. Não nego. Mas tive muita sorte. A sorte a gente não controla.
Neste artigo, resolvi escrever sobre o que observei em pessoas bem-sucedidas e que tento aplicar em minha vida dentro daquilo que posso controlar.
Não é uma tese. É o que vi no chão da fábrica da vida.
Sumarizando do jeito mais direto possível: sucesso costuma nascer da mistura de três coisas: trabalho duro (condição necessária), sorte (mais de 50%) e preparo (a ponte entre as duas). Você pode não concordar ou dizer “não é pra mim”; tudo bem. Só não espere o mesmo resultado de quem aparece todo dia e faz o que precisa ser feito sem ficar reclamando.
A história se repete: prosperidade vira conforto -> conforto vira descuido -> descuido vira crise.
A crise chama quem rala e reconstrói. O prédio volta a ficar de pé. E alguém esquece quanto custou o cimento. O ciclo recomeça.
Na faculdade, quando eu dizia: “cansei de estudar, vou parar”, meu melhor amigo repetia um mantra que guardei para a vida: “Tem um chinês que vai continuar estudando cansado.” A mensagem não é sobre competir com alguém específico, é sobre lembrar que o mundo não para porque você cansou.
E sim, às vezes a carga de trabalho é desesperadora. É brutal. Tem fases que duram dias, outras semanas, e algumas parecem se arrastar por meses. Ter resiliência e seguir em frente já te coloca à frente da maioria.
É importante sempre lembrar que essas fases difíceis não duram para sempre.
Morgan Housel, no livro “Same as Ever”, fala desse padrão que não muda: depois de períodos fáceis, a barra desce; depois de períodos difíceis, a barra sobe porque mais gente volta a trabalhar duro. É incômodo, mas é honesto: não dá para fugir do esforço.
Sorte existe. Nascer no lugar certo. Esbarrar na pessoa certa. Abrir o e-mail no minuto exato. Conhecer a pessoa correta. Em muitos casos, a sorte pesa mais de 50% (maioria eu acho, mas aí é minha opinião).
Mas aqui está o pulo do gato: sorte sem preparo evapora. Como disse um sábio estoico: “Sorte é quando a preparação encontra a oportunidade.”
Você não controla o vento. Você controla as velas.
Antes de qualquer lista, para se preparar para a sorte tenha hábitos saudáveis. Corpo em movimento, mente que respira, leitura constante. E caráter: tenha um coração bom. Ajude as pessoas. Além de ser o certo, é inteligente. Como mostra Adam Grant no livro Give and Take, quem ajuda (com limites) constrói reputação e uma rede que devolve oportunidades no tempo.
Trabalhar duro não garante sucesso. Mas não trabalhar duro quase garante o contrário. O esforço consistente cria tração, reputação e competência, e essas coisas conversam muito bem com a sorte quando ela aparece. O preparo faz a ponte: transforma um encontro aleatório em oportunidade concreta.
O mundo segue o seu ciclo. Tem épocas fáceis, que amolecem, e épocas duras, que nos lembram do básico. Quando a maré baixa, quem tem rotina, estudo, calma e plano sobrevive melhor. Quando a maré sobe, quem está pronto parece “sortudo”.
Então, o meu mapa é simples: apareça, faça o trabalho que importa, cuide do corpo e da cabeça, seja útil para os outros, mantenha o otimismo no horizonte e os planos A, B e C no bolso. O resto é vento: e quando ele soprar, as velas vão estar prontas.
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CHRO
CHRO global com carreira construída em empresas como Prosus, iFood e Kraft Heinz, Gustavo Vitti é um dos principais nomes em gestão de pessoas e cultura organizacional. Já atuou na América Latina, Ásia e Europa, liderando transformações em alta escala. Engenheiro de formação, com formação executiva em Kellogg (EUA), é colunista da Koru com foco em cultura, performance e futuro do trabalho. Acredita que RH estratégico é aquele que conecta dados, tecnologia e liderança para impulsionar resultados sustentáveis.