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Tecnologia e Inovação

IA no mercado de trabalho: o que os dados já mostram (e o que ainda não)

17 de April de 2026
Tempo de leitura: 5 min

Recentemente foi veiculado um artigo da Anthropic que analisa o impacto dos LLMs (Modelos de Linguagem de Grande Escala) no mercado de trabalho. Apesar de ele ser baseado em dados do mercado americano, os resultados ajudam a qualificar o debate sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) que, até agora, tem sido muito mais opinativo do que baseado em evidências.

Na área de tecnologia, onde atuo, vemos diariamente previsões sobre como a IA vai transformar empregos. Mas ainda são poucos os estudos que mostram, de fato, o que já está acontecendo.

E, já que estamos falando de IA, resolvi usar uma para ler o artigo, sintetizar os principais pontos e responder algumas perguntas relevantes.

O que os dados mostram sobre o impacto da IA no trabalho

O estudo de 2026 analisa o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho a partir de uma métrica chamada “exposição observada”. Essa abordagem combina o potencial técnico dos modelos com o uso em ambientes profissionais.

Os principais pontos:

  • Áreas como programação e atendimento ao cliente apresentam alta exposição à IA.
  • A adoção prática ainda está abaixo da capacidade técnica.
  • As ocupações mais afetadas tendem a exigir maior escolaridade e oferecer salários mais altos.
  • Não há, até o momento, evidência de aumento significativo no desemprego geral.
  • Há sinais de redução na contratação de jovens (22 a 25 anos).
  • A tendência é de crescimento mais lento de algumas ocupações na próxima década.

Em outras palavras: a IA já impacta o trabalho, mas ainda não na intensidade que muitos projetavam.

As profissões mais expostas à inteligência artificial

Segundo o estudo, as ocupações com maior exposição observada à IA são:

  • Programadores de computador (74,5%)
  • Atendimento ao cliente (70,1%)
  • Entrada de dados (67,1%)
  • Registros médicos (66,7%)
  • Pesquisa de mercado e marketing (64,8%)
  • Vendas (62,8%)
  • Análise financeira (57,2%)
  • QA de software (51,9%)
  • Segurança da informação (48,6%)
  • Suporte técnico (46,8%)

Um ponto importante: a exposição ainda é menor do que a capacidade técnica da IA, principalmente por fatores como regulação, necessidade de validação humana e limitações operacionais.

Quem são os profissionais mais impactados

O perfil dos trabalhadores mais expostos à IA traz um dado contraintuitivo: não são os trabalhadores menos qualificados.

Pelo contrário, esse grupo tende a ser:

  • Mais escolarizado (com maior proporção de graduação e pós-graduação)
  • Melhor remunerado (salários cerca de 47% maiores)
  • Ligeiramente mais velho e experiente
  • Com maior presença feminina

Ou seja, diferente de ondas anteriores de automação, a IA impacta principalmente o chamado “colarinho branco” (profissionais que realizam tarefas administrativas, burocráticas ou de gerência.

IA e desemprego: o que já aconteceu (e o que não aconteceu)

Até agora, os dados mostram:

  • Não houve aumento relevante no desemprego geral.
  • As mudanças na distribuição de empregos ainda são limitadas.
  • O impacto mais claro aparece na entrada de novos profissionais no mercado.

Isso ajuda a ajustar a narrativa: a IA ainda não está substituindo trabalhadores em massa.

Por que a contratação de jovens está caindo

O efeito mais consistente identificado no estudo é a redução na contratação de profissionais entre 22 e 25 anos em áreas expostas à IA.

Os principais motivos:

  • Não há aumento de demissões — há menos contratações.
  • Queda de até 14% na taxa de entrada em novos empregos.
  • Empresas estão priorizando produtividade com IA em vez de ampliar equipes.
  • Funções de entrada, mais operacionais, são as primeiras a serem automatizadas.

Na prática, a IA está estreitando a porta de entrada para o mercado em algumas carreiras.

Quais tarefas a IA já automatiza hoje

Entre as tarefas mais impactadas (especialmente em níveis iniciais), estão:

  • Entrada e processamento de dados
  • Programação básica
  • Atendimento ao cliente
  • Suporte técnico
  • Documentação médica
  • Relatórios e análise de dados
  • QA de software
  • Análises financeiras iniciais
  • São atividades mais estruturadas, repetitivas ou baseadas em linguagem — exatamente onde os modelos atuais performam melhor.

O que isso significa para o futuro do trabalho

O estudo aponta um cenário menos dramático do que o discurso dominante, mas não menos relevante.

A IA não está eliminando empregos em massa — ainda. Mas está:

  • Redefinindo tarefas
  • Alterando a dinâmica de contratação
  • Mudando o início das carreiras
  • Pressionando o ritmo de crescimento de algumas funções

Talvez o principal ponto seja esse: o impacto da IA no mercado de trabalho não é um evento, é um processo em curso.

E, depois de tudo isso, fica a pergunta: Você concorda com essa leitura?

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