Recentemente foi veiculado um artigo da Anthropic que analisa o impacto dos LLMs (Modelos de Linguagem de Grande Escala) no mercado de trabalho. Apesar de ele ser baseado em dados do mercado americano, os resultados ajudam a qualificar o debate sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) que, até agora, tem sido muito mais opinativo do que baseado em evidências.
Na área de tecnologia, onde atuo, vemos diariamente previsões sobre como a IA vai transformar empregos. Mas ainda são poucos os estudos que mostram, de fato, o que já está acontecendo.
E, já que estamos falando de IA, resolvi usar uma para ler o artigo, sintetizar os principais pontos e responder algumas perguntas relevantes.
O estudo de 2026 analisa o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho a partir de uma métrica chamada “exposição observada”. Essa abordagem combina o potencial técnico dos modelos com o uso em ambientes profissionais.
Os principais pontos:
Em outras palavras: a IA já impacta o trabalho, mas ainda não na intensidade que muitos projetavam.
Segundo o estudo, as ocupações com maior exposição observada à IA são:
Um ponto importante: a exposição ainda é menor do que a capacidade técnica da IA, principalmente por fatores como regulação, necessidade de validação humana e limitações operacionais.
O perfil dos trabalhadores mais expostos à IA traz um dado contraintuitivo: não são os trabalhadores menos qualificados.
Pelo contrário, esse grupo tende a ser:
Ou seja, diferente de ondas anteriores de automação, a IA impacta principalmente o chamado “colarinho branco” (profissionais que realizam tarefas administrativas, burocráticas ou de gerência.
Até agora, os dados mostram:
Isso ajuda a ajustar a narrativa: a IA ainda não está substituindo trabalhadores em massa.
O efeito mais consistente identificado no estudo é a redução na contratação de profissionais entre 22 e 25 anos em áreas expostas à IA.
Os principais motivos:
Na prática, a IA está estreitando a porta de entrada para o mercado em algumas carreiras.
Entre as tarefas mais impactadas (especialmente em níveis iniciais), estão:
O estudo aponta um cenário menos dramático do que o discurso dominante, mas não menos relevante.
A IA não está eliminando empregos em massa — ainda. Mas está:
Talvez o principal ponto seja esse: o impacto da IA no mercado de trabalho não é um evento, é um processo em curso.
E, depois de tudo isso, fica a pergunta: Você concorda com essa leitura?
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Chief Technology Officer
Marcelo Assahina é Chief Technology Officer na iPremi e no Grupo Clínica Senhor do Bonfim, com sólida trajetória em inovação, tecnologia e liderança estratégica. Atuou em empresas como IBM, Avanade/Accenture, Microsoft e Instituto de Pesquisas Eldorado (Apple) liderando iniciativas de transformação digital, cloud computing e desenvolvimento de soluções para grandes corporações. Bacharel em Ciências da Computação pela Unicamp e com MBA pela Fundação Dom Cabral, Marcelo combina visão de negócios com profundo conhecimento técnico, tendo contribuído com projetos no Brasil e no exterior. Atualmente, dedica-se à aplicação da tecnologia para impulsionar resultados sustentáveis e experiências mais humanas no ambiente corporativo.