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Recursos Humanos

A transformação de Inteligência Artificial é responsabilidade de todo o time executivo, não apenas de uma área

25 de June de 2026
Tempo de leitura: 3 min

A discussão sobre quem deve liderar a transformação de Inteligência Artificial (IA) nas empresas não para de crescer. CHRO? CTO? CIO? Cada área reivindica o protagonismo.

Não acredito que essa seja a pergunta correta.

O problema não é quem lidera. É quem delega.

AI não é projeto. Não é ferramenta de produtividade. Tampouco são projetos que tornam uma área 10-20% mais eficientes que vão transformar a forma como a organização opera. O ganho real vem quando você para de pensar em áreas e começa a olhar a empresa como modelo operacional, entendendo como o fluxo de trabalho acontece de verdade, o que é essencial, o que está defasado, e onde as camadas de julgamento, decisão e agência humana precisam estar. 

Se a gente focar somente nos ganhos de produtividade, perdemos de olhar a companhia de maneira mais ampla e realmente entender como o trabalho acontece, onde estão os gargalos e as ineficiências e onde as coisas podem ser diferentes, em contraponto ao “sempre foi assim”.

Transformação exige conhecimento profundo

A transformação de IA na organização exige que você conheça a empresa com profundidade.

Não as descrições de cargo. Não os processos documentados. O que está implícito. Mas sim as decisões ocultas no fluxo de trabalho que ninguém vê. O conhecimento tácito que vive só na cabeça das pessoas e não está escrito em lugar nenhum.

Quando você delega a transformação de IA, você delega exatamente esse exercício. E o que acontece é previsível: adicionar IA a processos que não dão resultado dá escala à ineficiência. Precisamos evoluir de produtos dispersos entre áreas e entender que a IA traz uma camada de inteligência organizacional as nossas empresas.

Não tem como cobrar uma agenda que você não domina. Isso vale para TODOS os executivos, não só para quem é "dono" da pauta.

Executivos precisam assumir essa responsabilidade

Walk the talk significa duas coisas práticas: aprender IA você mesmo (não receber o relatório do time, mas usar, testar, entender onde quebra) e ir além do clickbait. As notícias de redução de quadros e extinção de departamentos têm uma história por trás. Ninguém fez isso da noite para o dia. O manifesto da Block é um bom exemplo: conta como eles passaram anos repensando como a organização funciona antes de publicar os resultados que viralizaram.

Por isso, o principal interessado na transformação de IA é o CEO. E todo o comitê executivo precisa estar na pauta com a mesma régua de cobrança e responsabilização. Não como destinatários de um relatório, mas como pessoas que conhecem a empresa que estão tentando transformar.

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