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Recursos Humanos

Lições do HR Tech 2025 que todo CHRO precisa ouvir

29 de October de 2025
Tempo de leitura: 6 min

Acabei de voltar de Las Vegas, onde participei do HR Tech Conference 2025, o maior evento global de inovação em Recursos Humanos e tecnologia. São quase 30 anos de história e, ainda assim, continua sendo o epicentro mundial das HR Techs — o lugar onde o futuro do trabalho é desenhado na prática.

Foram quatro dias intensos, mais de vinte pitches de startups, conversas com fundadores, líderes de grandes empresas e profissionais que estão, de fato, reinventando o RH. Fui com a Aline Wightman Esteves, CHRO da Monashees, e posso garantir: voltamos com a cabeça fervendo de ideias e provocações. Na coluna deste mês reúno alguns dos principais insights que podem agregar aos líderes de RH.

1. A era do “Change Management” da IA

Ano passado, o tema era “implementar IA”. Este ano, a conversa mudou completamente.

O assunto não é mais “como implantar”, e sim “como fazer as pessoas realmente usarem”. O HR Tech deixou claro que entramos na fase do change management da IA — o momento em que o RH precisa treinar, engajar e redesenhar o trabalho para integrar humanos e agentes de inteligência artificial.

Essa é a última geração de CEOs que vai gerir apenas humanos. A partir de agora, o desafio será liderar times híbridos, compostos por pessoas e por agentes digitais. Isso muda tudo: estrutura, cultura, orçamento e até o design organizacional.

A pergunta que os líderes deveriam estar fazendo é: “Quais processos do meu RH serão reconfigurados para incorporar agentes inteligentes em 12 meses?”

2. Dados integrados e RH realmente digital

A grande diferença entre o que observei nos EUA e no Brasil é que lá as empresas já pensam o RH de forma intencionalmente integrada. A IA só gera valor real quando há um sistema de dados unificado, conectando folha, recrutamento, avaliação e performance. Tudo é dado.

Enquanto no Brasil ainda lutamos com integrações básicas entre plataformas, lá o foco já está em orquestração inteligente de dados. O HR Tech 2025 mostrou uma evolução: não se fala mais de ferramentas isoladas, mas de tech stacks que se comunicam e aprendem juntas.

Leia também: Por que RH com visão de negócio não basta (se o negócio não tem visão de RH)?

3. Talent Acquisition e a guerra do topo de funil

Outro tema fortíssimo foi o recrutamento.

Nos EUA, o problema agora é o excesso de candidatos — muitos usando IA para gerar e enviar currículos automaticamente. O que antes era escassez virou volume desqualificado, e as empresas estão correndo atrás de soluções que consigam filtrar esse topo de funil com mais precisão.

Por outro lado, vimos também um salto em tecnologias de skills matching: soluções que mapeiam competências e conectam candidatos ao papel ideal, indo muito além do job description.

A Aline Esteves, que participou comigo de dois talks com a Koru sobre o evento, resumiu bem isso: “a conversa não é mais sobre contratar rápido, mas sobre contratar certo e desenvolver continuamente”.

4. O papel estratégico do RH na integração da IA

Um dos aprendizados mais poderosos é que, nos EUA, “Ops” é estratégico. Enquanto no Brasil folha de pagamento e processos operacionais ainda são vistos como burocracia, lá são parte central da gestão de workforce — e estão completamente integrados a dados e IA.

Isso muda o status do RH: ele deixa de ser executor e passa a ser arquiteto de sistemas humanos e digitais.

A liderança precisa entender que IA não é um projeto de tecnologia, mas um projeto de transformação organizacional.

5. Cultura e liderança para um novo modelo de trabalho

Tecnologia sem cultura é só barulho.

O HR Tech 2025 reforçou algo que repito em todos os meus projetos: “não há IA sem mudança comportamental”.

O RH precisa construir confiança, garantir governança de dados e ajudar líderes a navegar nesse ambiente híbrido. O futuro do trabalho será, ao mesmo tempo, digital e profundamente humano.

Tudo que é bom para o futuro, dá trabalho no presente. A verdadeira disrupção começa quando a gente aceita o desconforto de aprender de novo.

Voltei de Las Vegas com uma convicção: o RH que sobreviverá é o que entender que IA não substitui pessoas, ela amplia o potencial humano.

As empresas que conseguirem equilibrar dados, cultura e liderança vão sair na frente. Então, deixo aqui três perguntas para quem lidera a transformação no Brasil:

  • Estamos realmente integrando dados de RH ou apenas colecionando dashboards?
  • Estamos treinando nossos líderes para fazer a gestão de humanos e agentes digitais?
  • Estamos medindo o valor do RH pelo impacto no negócio ou pelo número de projetos entregues?

O HR Tech 2025 mostrou que o futuro já chegou. Agora, cabe a nós decidir se vamos ser espectadores — ou protagonistas dessa nova era.

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