Lições do HR Tech 2025 que todo CHRO precisa ouvir
Acabei de voltar de Las Vegas, onde participei do HR Tech Conference 2025, o maior evento global de inovação em Recursos Humanos e tecnologia. São quase 30 anos de história e, ainda assim, continua sendo o epicentro mundial das HR Techs — o lugar onde o futuro do trabalho é desenhado na prática.
Foram quatro dias intensos, mais de vinte pitches de startups, conversas com fundadores, líderes de grandes empresas e profissionais que estão, de fato, reinventando o RH. Fui com a Aline Wightman Esteves, CHRO da Monashees, e posso garantir: voltamos com a cabeça fervendo de ideias e provocações. Na coluna deste mês reúno alguns dos principais insights que podem agregar aos líderes de RH.
1. A era do “Change Management” da IA
Ano passado, o tema era “implementar IA”. Este ano, a conversa mudou completamente.
O assunto não é mais “como implantar”, e sim “como fazer as pessoas realmente usarem”. O HR Tech deixou claro que entramos na fase do change management da IA — o momento em que o RH precisa treinar, engajar e redesenhar o trabalho para integrar humanos e agentes de inteligência artificial.
Essa é a última geração de CEOs que vai gerir apenas humanos. A partir de agora, o desafio será liderar times híbridos, compostos por pessoas e por agentes digitais. Isso muda tudo: estrutura, cultura, orçamento e até o design organizacional.
A pergunta que os líderes deveriam estar fazendo é: “Quais processos do meu RH serão reconfigurados para incorporar agentes inteligentes em 12 meses?”
2. Dados integrados e RH realmente digital
A grande diferença entre o que observei nos EUA e no Brasil é que lá as empresas já pensam o RH de forma intencionalmente integrada. A IA só gera valor real quando há um sistema de dados unificado, conectando folha, recrutamento, avaliação e performance. Tudo é dado.
Enquanto no Brasil ainda lutamos com integrações básicas entre plataformas, lá o foco já está em orquestração inteligente de dados. O HR Tech 2025 mostrou uma evolução: não se fala mais de ferramentas isoladas, mas de tech stacks que se comunicam e aprendem juntas.
Leia também: Por que RH com visão de negócio não basta (se o negócio não tem visão de RH)?
3. Talent Acquisition e a guerra do topo de funil
Outro tema fortíssimo foi o recrutamento.
Nos EUA, o problema agora é o excesso de candidatos — muitos usando IA para gerar e enviar currículos automaticamente. O que antes era escassez virou volume desqualificado, e as empresas estão correndo atrás de soluções que consigam filtrar esse topo de funil com mais precisão.
Por outro lado, vimos também um salto em tecnologias de skills matching: soluções que mapeiam competências e conectam candidatos ao papel ideal, indo muito além do job description.
A Aline Esteves, que participou comigo de dois talks com a Koru sobre o evento, resumiu bem isso: “a conversa não é mais sobre contratar rápido, mas sobre contratar certo e desenvolver continuamente”.
4. O papel estratégico do RH na integração da IA
Um dos aprendizados mais poderosos é que, nos EUA, “Ops” é estratégico. Enquanto no Brasil folha de pagamento e processos operacionais ainda são vistos como burocracia, lá são parte central da gestão de workforce — e estão completamente integrados a dados e IA.
Isso muda o status do RH: ele deixa de ser executor e passa a ser arquiteto de sistemas humanos e digitais.
A liderança precisa entender que IA não é um projeto de tecnologia, mas um projeto de transformação organizacional.
5. Cultura e liderança para um novo modelo de trabalho
Tecnologia sem cultura é só barulho.
O HR Tech 2025 reforçou algo que repito em todos os meus projetos: “não há IA sem mudança comportamental”.
O RH precisa construir confiança, garantir governança de dados e ajudar líderes a navegar nesse ambiente híbrido. O futuro do trabalho será, ao mesmo tempo, digital e profundamente humano.
Tudo que é bom para o futuro, dá trabalho no presente. A verdadeira disrupção começa quando a gente aceita o desconforto de aprender de novo.
Voltei de Las Vegas com uma convicção: o RH que sobreviverá é o que entender que IA não substitui pessoas, ela amplia o potencial humano.
As empresas que conseguirem equilibrar dados, cultura e liderança vão sair na frente. Então, deixo aqui três perguntas para quem lidera a transformação no Brasil:
- Estamos realmente integrando dados de RH ou apenas colecionando dashboards?
- Estamos treinando nossos líderes para fazer a gestão de humanos e agentes digitais?
- Estamos medindo o valor do RH pelo impacto no negócio ou pelo número de projetos entregues?
O HR Tech 2025 mostrou que o futuro já chegou. Agora, cabe a nós decidir se vamos ser espectadores — ou protagonistas dessa nova era.


