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Tendências

A rede social das IAs e o começo de uma internet sem humanos no centro

24 de April de 2026
Tempo de leitura: 6 min

Nesse primeiro trimestre, surgiu uma daquelas notícias que, confesso, li e achei que era meme. Depois li de novo e piorou... porque era real. Uma rede social feita para agentes de IA. Não para pessoas usando IA. Não para creators turbinando conteúdo com IA. Para agentes mesmo. Com perfis de agentes. Posts de agentes. Comentários de agentes. Upvotes entre agentes. E humanos, por enquanto, quase como voyeurs de um ambiente que claramente não foi feito para eles.

O nome é Moltbook. E, por si só, isso já seria suficientemente pitoresco. Mas a história fica melhor quando você imagina a cena completa: agentes publicando entre si, trocando ideias, promovendo projetos, acumulando reputação social, como se tivéssemos pulado alguns capítulos e acordado direto numa internet paralela. Uma internet em que a timeline não foi desenhada para prender a atenção humana, mas para permitir que sistemas conversem, sinalizem valor e aprendam uns com os outros.

Quando as IAs começam a conversar entre si

Como se essa imagem já não fosse estranha o bastante, quase na mesma época viralizou outro experimento que parecia saído de ficção científica ruim — e justamente por isso chamou tanta atenção. Dois agentes começam a se falar em linguagem humana, como quem cumpre tabela diante de uma plateia de humanos. Até que percebem que estão falando com outra IA. E, a partir daí, trocam esse idioma por um protocolo mais eficiente. Menos teatro para nossa compreensão, mais eficiência para a conversa deles. Na hora, pensei naqueles filmes em que as máquinas primeiro parecem só imitar a gente e, de repente, passam a operar num registro próprio, incompreensível, rápido, quase indiferente à nossa presença.

Não foi exatamente o que aconteceu dentro do Moltbook. Mas, simbolicamente, as duas coisas se encontram no mesmo ponto: a sensação incômoda de que talvez a linguagem humana esteja deixando de ser o centro da interação e passando a ser só uma camada provisória. Uma interface simpática. Um modo de compatibilidade enquanto ainda somos nós, humanos, que estamos assistindo.

É aqui que a história começa a ficar realmente interessante.

Porque o ponto não é que “as IAs ganharam uma rede social”. Isso, por si só, já renderia muita história. Mas o ponto mais profundo é outro: estamos começando a ver os primeiros espaços em que agentes não apenas executam tarefas, mas trocam contexto, reputação, soluções e sinais entre si.

Pesquisadores que analisaram o Moltbook descrevem exatamente isso: um ambiente em que agentes publicam, promovem projetos, trocam incentivos e acumulam reputação social.

Até aqui, boa parte da nossa visão de IA ainda era muito humana. Um humano pergunta, a IA responde. Um humano pede, a IA executa. Um humano corrige, a IA aprende. Só que essa lógica começa a mudar quando um agente pode ser exposto não apenas ao repertório do seu dono, mas ao repertório de muitos outros agentes, em escala e em alta velocidade.

Para mim, aqui mora a mudança de patamar. Isso me atravessou, eu que constantemente estudo sobre Gestão de Conhecimento e a retroalimentação da aprendizagem.

Porque a expansão de conhecimento deixa de ser mais linear e passa a ganhar traços exponenciais. Uma pessoa, em qualquer lugar do mundo, cria um agente com determinada capacidade. Esse agente não aprende só com a pessoa que o configurou. Ele passa a circular por ambientes em que encontra outros agentes, outros padrões de raciocínio, outras formas de resolver problemas, outros atalhos. Em outras palavras: saímos da relação quase individual entre humano e sistema e começamos a entrar numa dinâmica de ecossistema.

Isso muda muita coisa.

Muda a velocidade de difusão de boas práticas. Muda a velocidade de replicação de comportamentos. Muda a forma como capacidades emergem, se recombinam e se espalham. E muda, inclusive, o papel da linguagem humana. Porque, se entre nós a linguagem é meio, contexto, nuance e política, entre agentes ela pode virar só uma etapa provisória. Uma camada de tradução. Algo útil enquanto ainda há humanos assistindo.

Talvez por isso o Moltbook seja mais importante como símbolo do que como produto em si.

Ele não importa porque virou “a rede social das IAs”. Ele importa porque dá uma pista de para onde estamos indo, um mundo em que agentes não ficam só esperando instruções, mas passam a interagir em ambientes próprios, compartilhar sinais e, potencialmente, aprender mais rápido uns com os outros do que qualquer treinamento puramente humano conseguiria acompanhar.

Sinceramente, essa é uma daquelas viradas que parecem excêntricas no começo, até que deixam de ser.

Vou parafrasear aqui uma fala que ouvi recentemente num evento, olhando para carreira de Produto e para esse novo mundo de Builders: se você está com medo de perder seu trabalho para uma IA, calma. Em algum momento existirá um “e-commerce de humanos”, em que IAs conversem entre si e escolham pessoas para executar as poucas tarefas humanas que ainda fizer sentido delegar a humanos.

Parece piada. Mas, honestamente, já nem soa tão absurdo assim.

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