O que é Product-Led-Growth (PLG) e por que tantos negócios estão migrando para esse modelo
O cenário de crescimento em tecnologia e serviços digitais entrou em uma fase mais madura e seletiva. Equipes mais enxutas, orçamento mais criterioso, pressão por eficiência, o nível de exigência aumentou.
Nesse contexto, o Product-Led Growth (PLG) deixou de ser “tendência de SaaS” e se consolidou como estratégia de crescimento para empresas B2B e B2C que precisam converter, ativar, reter e expandir receita com menos atrito e mais valor entregue pelo próprio produto.
Os sinais de mercado convergem: times de produto e growth priorizam tempo até o valor (time-to-value), autonomia do usuário e ciclos de descoberta e compra cada vez mais self-serve, com o produto no centro do funil.
Novos relatórios e guias de 2025 como o artigo “Product-Led Onboarding: How to Do It Right in 2025” de Carlos Gonzalez de Villaumbrosia, Founder & Chief Executive Officer at Product School, indicam evolução prática do playbook: benchmarking de PLG, ênfase em onboarding orientado por produto e métricas que antecipam o sucesso — desde PQLs até sinais precoces de ativação e engajamento, num cenário em que crescimento bruto desacelera e eficiência se torna diferencial competitivo.
Neste artigo, vamos explicar o que é PLG, seus benefícios e diferença desse modelo para os os modelos tradicionais. Confira!
O que é Product-Led Growth (PLG)?
Product-Led Growth é uma estratégia em que o produto é o principal motor de aquisição, ativação, retenção e expansão de receita. Em vez de depender de longos ciclos de venda high-touch, o produto oferece experiências autoexplicativas, reduz fricções de entrada, como cadastros, trials e versões freemium, e guia o usuário até o primeiro momento de valor.
O PLG evolui do simples onboarding para experiências personalizadas, inteligentes e invisíveis, que se adaptam ao contexto, antecipam necessidades e desaparecem quando não precisam atrapalhar o fluxo natural do usuário.
PLG x modelos tradicionais
O modelo sales-led tem crescimento impulsionado por vendas e é adequado a tickets altos e soluções complexas, mas gera ciclos longos e caros. O marketing-led orienta-se pela força da marca e pela distribuição de conteúdo, essencial para awareness, mas pode não reduzir a fricção de uso. Já no product-led, o produto atrai, ensina, converte e expande.
O modelo sales-led é tradicional em mercados B2B complexos. Nele, o crescimento acontece a partir de equipes de vendas que fazem prospecção, reuniões, apresentações e negociações.
É o que acontece, por exemplo, em empresas que vendem softwares de gestão de infraestrutura para grandes indústrias. Como o produto é complexo e o ticket médio é alto, o cliente precisa de várias conversas antes de fechar. A desvantagem é que esse ciclo de vendas pode levar meses e custa caro manter uma equipe comercial robusta.
Já o modelo marketing-led aposta em campanhas de marca, geração de leads e nutrição por meio de conteúdo. Funciona bem para empresas que precisam ganhar visibilidade e educar o mercado. Imagine uma empresa de cursos online que investe em anúncios, blog posts e vídeos no YouTube para atrair milhares de visitantes.
A força da comunicação gera tráfego e reconhecimento, mas muitas vezes a pessoa interessada ainda enfrenta barreiras para experimentar ou perceber valor rápido no produto. Isso pode resultar em cadastros que não se transformam em clientes.
Por fim, no modelo product-led, o próprio produto é a principal porta de entrada. O usuário testa antes de comprar, aprende usando e rapidamente entende o valor que a solução entrega. É o caso de ferramentas como Slack, Canva ou Notion: basta se cadastrar, criar um time ou um design e em poucos minutos já é possível ver resultados concretos.
O produto “fala por si”, engaja o usuário, gera convites para colegas e, naturalmente, leva à expansão e ao pagamento de planos premium. Esse caminho reduz o custo de aquisição e acelera a decisão de compra, porque a experiência inicial é positiva e prática. O resultado é a redução do custo de aquisição incremental e maior eficiência quando a equipe fortalece discovery, onboarding, pricing e paywalls dentro da jornada.
Guias recentes mostram como é possível migrar de sales-led para PLG sem desligar a área comercial, mas redesenhando papéis em torno do produto.
Benefícios da PLG para empresas
O PLG traz ganhos diretos e mensuráveis. Em primeiro lugar, simplifica a aquisição, com cadastros fáceis, trials e demos guiadas pelo produto que elevam a taxa de conversão no topo do funil.
Em segundo lugar, acelera o time-to-value: um onboarding contextualizado reduz o tempo até a primeira vitória do usuário, aumentando a chance de ativação e retenção.
Em terceiro lugar, gera eficiência de crescimento. Num ambiente de crescimento mediano mais baixo e custo de aquisição pressionado, a eficiência operacional e de go-to-market torna-se decisiva.
Em quarto lugar, cria escalabilidade de receita, ao combinar expansão dentro da base com loops de produto, como convites, templates e colaboração.
E por fim, melhora o alinhamento entre áreas, já que produto, marketing, growth, CS e vendas passam a compartilhar métricas e hipóteses de jornada, acelerando o aprendizado em ciclos curtos.
Como as mudanças do comportamento do consumidor impulsionam a PLG
O consumidor atual espera autonomia para testar antes de comprar, clareza de valor nos primeiros cliques e experiências personalizadas.
Em 2025, o PLG incorpora inteligência e personalização contínuas, com o produto aprendendo preferências, removendo passos desnecessários e orquestrando jornadas quase invisíveis.
Essa evolução reduz a necessidade de tutoriais ou de vendas consultivas, já que o próprio produto passa a educar e engajar o usuário, antecipando suas necessidades.
Como implementar uma estratégia PLG
Implementar product-led growth não é simplesmente lançar uma versão freemium. É preciso estruturar a empresa para que o produto realmente puxe o crescimento.
O que caracteriza uma estratégia PLG
Uma estratégia PLG se caracteriza por entradas self-serve, como free, trial ou demos interativas, escolhidas conforme o perfil de cliente e a complexidade do uso. Também envolve um onboarding guiado pelo produto, com checklists, tooltips e tarefas de ativação que reduzem o time-to-value.
Os leads passam a ser qualificados pelo uso, os chamados PQLs, em vez de formulários. E, além disso, há os growth loops nativos, que permitem convidar colegas, compartilhar e gerar prova social diretamente no produto.
Estrutura organizacional e processos
O sucesso do PLG depende de squads multidisciplinares de produto e growth com metas conjuntas, como ativação, retenção e expansão. É preciso estabelecer ciclos rápidos de experimentação, conectados a métricas de produto em vez de indicadores apenas de marketing ou vendas. Também é fundamental integrar vendas e CS para capturar product qualified accounts (PQAs) com potencial enterprise, sem atritos para usuários que preferem o self-serve.
Tecnologias e ferramentas de suporte
As tecnologias de suporte incluem analytics de produto para mapear quedas de ativação e identificar momentos de expansão, plataformas de onboarding para reduzir o tempo até o valor, demos interativas que aumentam a qualificação de leads e infraestruturas de billing flexíveis que sustentam upgrades e paywalls inteligentes.
Cultura e mindset necessários
O mindset do PLG exige foco absoluto nos problemas do usuário, priorização baseada em métricas de produto, como activation rate, feature adoption e retention, além de alinhamento entre times. Em vez de cada área trabalhar isoladamente, marketing, vendas e CS se tornam amplificadores do produto.
Métricas e resultados do PLG
Em 2025, as métricas-chave do PLG incluem ativação, tempo até o valor, PQLs e PQAs, retenção, expansão, CAC payback e LTV/CAC. Outra evolução importante foi a identificação de nove métricas precoces que antecipam o sucesso do PLG, como profundidade de uso, frequência de valor e convites.
Product-Led Onboarding: como fazer em 2025
O onboarding eficaz não é um tour de telas, mas uma estratégia. O primeiro passo é mapear os jobs to be done prioritários e transformá-los em tarefas claras de ativação.
Em seguida, personalizar a experiência por segmento ou perfil de cliente. É fundamental provar valor cedo, eliminar fricções desnecessárias como pedidos prematuros de cartão e oferecer integrações nativas que facilitem a vida do usuário. Por fim, medir continuamente os resultados com analytics e testar melhorias semana a semana.
Roteiro prático para migrar de sales-led para product-led
A migração deve começar com um caso de uso simples, criando um caminho self-serve com proposta de valor clara. Depois, redesenhar o onboarding seguindo alguns passos.
É essencial definir PQLs e PQAs e estabelecer handoffs suaves para vendas em contas enterprise. O pricing deve ser ajustado com planos de entrada claros e paywalls que mostrem o valor do upgrade.
Loops de produto, como convites e compartilhamento, precisam ser instalados desde cedo. Além disso, a execução deve acontecer em ciclos quinzenais de experimentação, com relatórios baseados em métricas de produto e eficiência financeira.
Perguntas frequentes de quem está adotando PLG
Uma dúvida comum é se o PLG substitui o time de vendas. A resposta é não. Em 2025, a prática mais eficiente combina PLG com vendas consultivas, em que o produto gera volume e qualifica contas e o time comercial captura as oportunidades de maior valor.
Outra questão é se o modelo funciona para enterprise. Sim, desde que haja caminhos paralelos: self-serve para a entrada e suporte assistido para clientes corporativos. Sobre erros no onboarding, os mais comuns são experiências genéricas, falta de acompanhamento do tempo até o valor, barreiras desnecessárias e ausência de personalização. Já em relação a métricas, a prioridade deve ser para sinais precoces, como uso do recurso central, convites e frequência de valor, que antecipam retenção e expansão.
PLG é sobre foco no valor e disciplina em métricas
Product-Led Growth não é apenas uma estratégia de aquisição, mas uma mudança de sistema. Em 2025, as empresas que prosperam com PLG, tanto em B2B quanto em B2C, são aquelas que desenham o produto para entregar valor rápido, medem os indicadores que importam e alinham times em torno do produto. Em um mercado que premia eficiência e experiência superior, o produto se torna a principal alavanca de crescimento.
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