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Processos na área de Produtos: como eles funcionam

Foi-se o tempo que as pessoas esperavam durante anos por melhorias e novidades nos produtos utilizados. Com o mundo cada vez mais conectado, tecnológico, automatizado e concorrido por diversas empresas e seus respectivos profissionais, as pessoas desejam inovações e entregas de valor para o seu dia a dia de forma cada vez mais rápida e de acordo com as reais necessidades e desejo dos clientes.

Sabendo disso, as empresas precisam construir e entregar essas novidades e produtos também com igual rapidez e assertividade, sem deixar de mapear com exatidão os objetivos a serem cumpridos na entrega de valor para os usuários de uma solução, bem como acertando neles, garantindo o sucesso para a organização frente à concorrência no mercado.

Contudo, “rapidez” não é o melhor conceito dentro de um complexo contexto organizacional. O que as empresas precisam ter em seus times, na verdade, é “agilidade”.

Se uma empresa traça um plano para entregar um produto completo às pressas em apenas 3 meses, por exemplo, por mais que ela entregue alguma coisa ao final desse período, há muitas chances de o que foi entregue estar incompleto e repleto de falhas, além de ter causado muitos conflitos e estresse desnecessários dentro dos times.

Mais do que seguir um plano à risca, desconsiderando toda e qualquer mudança que seria necessária durante esse caminho com o passar dos dias, a mentalidade de agilidade e suas respectivas metodologias devem ser adotadas dentro das organizações para garantir a forma mais flexível, inteligente e adaptável de executar os trabalhos, sem deixar de focar na qualidade, na entrega de valor contínua para os clientes, e na otimização do tempo.

Por tais motivos, dentro de um ou mais times de Produtos Digitais, devem haver etapas e ações voltadas para os pilares da agilidade dos processos e metodologias de trabalho, assim como há processos voltados para a descoberta, criação, gestão e manutenção do Produto Digital entregue a seu grupo de clientes.

Processos de agilidade

A fim de aplicar agilidade nos processos de execução dos trabalhos de vários times de Produtos, as empresas podem usar à sua disposição vários frameworks, técnicas e metodologias inovadoras e consolidadas como relevantes e extremamente úteis no mercado, como Lean, SAFe, XP (Extreme Programming) e Scrum.

Usando como princípio o framework ágil, Scrum, um dos mais requisitados pelas empresas de desenvolvimento de Produtos durante anos, para garantir fluxos adequados de trabalho no desenvolvimento, na validação e na entrega de produtos, considerando economia de tempo, mas valorizando igualmente a entrega de valor contínuo e correto para os envolvidos, alguns artefatos, cerimônias e certos ritos de trabalho devem ser adotados pelas equipes.

Dentre alguns desses itens podemos destacar:

Planning

Antes da execução dos trabalhos de definição e desenvolvimento do produto iniciarem, a Planning é uma reunião de Planejamento inicial que deve ser realizada com todo o time de Produtos para que possam ser esclarecidos pontos sobre os objetivos, as metas e os resultados esperados para o produto em questão.

Frequentemente, ela é conduzida por uma pessoa com o papel de Product Owner dentro do time de Produtos, com os Desenvolvedores, Designers e QAs que precisam compreender as expectativas para avaliar e confirmar tecnicamente o que é possível entregar e validar com qualidade, até o fim do tempo delimitado para esse trabalho.

Daily

Durante o desenvolvimento do Produto Digital, as dailys são as reuniões diárias que duram poucos minutos, das quais todos do time participam para que cada um possa esclarecer sobre o que estão fazendo no momento, suas atividades, o que será feito de importante para o produto até o fim do respectivo dia e o que está dando certo e errado durante os trabalhos, caso haja algo nesse aspecto.

É um dos momentos mais propícios para cada um poder compartilhar informações sobre impedimentos e dificuldades que estão sendo experimentadas, justamente para que as pessoas responsáveis possam conhecê-las e ajudar a resolvê-las o quanto antes, para que o time como um todo possa seguir adaptando os seus trabalhos sem atrasos ou complicações na entrega do item do produto.

Review

Ao final de uma etapa de desenvolvimento, seja do Produto como um todo ou de marcos e “pedaços” significativos para ele, a Review é a reunião de Revisão que envolve todos do time para que seja demonstrado o que foi concluído para o Produto, qual a qualidade de cada item e o que pode ter ficado pendente.

Retrospectiva

Após a revisão do que foi entregue e a identificação do que não foi entregue pelo time até o final do ciclo de desenvolvimento planejado, a reunião de Retrospectiva é o momento para demonstrar e relembrar como o trabalho foi concluído, o que deu certo nas formas de trabalhar de cada um, como cada um se sentiu e o que pode ser melhorado para garantir uma experiência melhor para todos.

Processos de Construção do Produto

Por mais que os processos de agilidade descritos acima possam ser aplicados a outros ramos do mercado, é de fato no ramo de Produtos Digitais que eles agregam mais valor durante a execução dos trabalhos. Contudo, existem certos processos na construção de um Produto Digital que fazem parte especificamente desse escopo de mercado, garantindo cada vez mais sucesso para as empresas desse meio.

Alguns desses processos mais importantes envolvem:

Discovery

O Discovery de Produto é a etapa da descoberta do nicho de mercado que a empresa atuará, quem de fato são os clientes, como se comportam, quais são as suas dores e necessidades e quais são seus desejos.

É realizando esse processo na área de Produtos Digitais que nós podemos mapear e, a partir disso, entender e definir o que de fato acontece no dia a dia de determinado grupo de potenciais clientes, e assim, o que é necessário haver no formato de um produto digital para entregar solução e valor para essas pessoas.

Ideação

Assim que o grupo de potenciais clientes, o perfil de cada tipo principal de pessoa e quais os problemas, necessidades e dores que as afligem estiverem identificadas e forem analisadas com empatia e com critérios técnicos, as pessoas responsáveis pela definição e orientação quanto a área de Produtos Digitais de uma organização devem permitir um momento de ideação para que sejam levantadas as sugestões, hipóteses e sugestões das melhores ideias que possam atender às necessidades identificadas e compreendidas no grupo de clientes-alvo.

Conceber as ideias mais variadas e criativas por diferentes pessoas integrantes da equipe é um processo muito valioso se a empresa quiser inovar no mercado, em vez de entregar mais do mesmo.

Para isso, são necessárias técnicas profissionais que existem no mercado. Dentre elas, podemos citar as técnicas de brainstorming, brainwriting, os métodos Scamper, os seis chapéus do pensamento de Edward Bono, How-might-we (como nós podemos) e muitas outras que estimulam a criatividade individual e em grupo com o objetivo de gerar o máximo de ideias possível. 

Com isso, podem ser analisadas as ideias que são mais impactantes positivamente para os clientes, e ao mesmo tempo, viáveis e com bom custo-benefício para a empresa poder desenvolver.

Prototipação

Tendo as ideias mais benéficas para os clientes e viáveis para a empresa definidas, priorizadas e compreendidas por todos, chega o momento de desenvolver o produto que será, eventualmente, entregue e comercializado para os clientes finais.

A fim de evitar a construção completa de um produto desnecessário, mal aceito ou problemático para as pessoas, em vez de se desenvolver o produto final que será caro e demorado de fazer, as equipes de Produtos Digitais devem saber realizar a construção no formato de um protótipo.

Um protótipo é uma versão enxuta do que seria o produto final, que tem como objetivo permitir que a empresa economize o máximo de tempo e recursos possíveis para poder validar com os potenciais clientes se a ideia que a empresa teve para o produto digital (apresentada no formato de protótipo) realmente faz sentido para eles, se atende às necessidades identificadas e se eles, de fato, o utilizariam nas situações analisadas.

Imagine só gastar tempo e dinheiro desenvolvendo algo que as pessoas nem precisam e nem gostam. Infelizmente, há empresas que perdem muitos recursos por não realizarem essa etapa da prototipação antes de sair lançando o que foi desenvolvido no mercado.

Validação e testes

Após o protótipo estar desenvolvido sem terem sido gastos tantos recursos de forma desnecessária pela organização, testes de usabilidade com pessoas que fazem parte do potencial grupo de clientes devem ser realizados.

Nessa etapa, é possível identificar com os clientes o que eles acham da ideia, como eles usam o produto digital, quantas vezes eles continuariam o utilizando, se eles gostam ou não gostam e o quanto o produto realmente seria necessário em suas vidas, assim como o quanto de dinheiro eles pagariam por ele, no cenário de ser um produto monetizado.

É de vital importância analisar critérios técnicos de uso do produto por essas pessoas, mas não deixar, de modo algum, de receber abertamente e compreender os feedbacks, as críticas e as sugestões que essas pessoas compartilham durante o teste.

Afinal, só assim é possível confirmar o que deve ser implementado na fase final do produto e o que deve ser descontinuado nele antes de sua comercialização para os clientes.

Feitos todos os processos de criação e validação do protótipo de como será o produto digital, assim que ele estiver totalmente compreendido e aprovado com os clientes que colaboraram em seu teste, a empresa pode investir no refinamento para o desenvolvimento da versão final do produto digital, deixando-o mais maduro para ser disponibilizado no mercado, e a partir disso, de fato, compartilhando esse produto digital nos respectivos meios de acesso, nas lojas de aplicativo, na plataforma de vendas da empresa e outros canais de uso para os clientes finais.

Tendo centenas, milhares e até milhões de pessoas utilizando um produto digital da empresa, não significa que o trabalho da área de Produtos Digitais terminou por aí.

Os times envolvidos devem estar cientes da organização dos trabalhos nos processos de manutenção (também chamados de sustentação) e escala contínua desse produto digital, mediante a avaliação diária dos clientes que informam o que está funcionando, o que deixou de funcionar, o que precisa ser melhorado, assim como critérios de tecnologia que mudam e se atualizam conforme o tempo passa.

Se a empresa quiser se manter relevante e inovadora no mercado com o passar do tempo – algo que praticamente todas querem – os processos de agilidade nos trabalhos, reduzindo esforços e repetições desnecessárias ou pouco assertivas, bem como os processos de construção, manutenção e escala dos produtos digitais devem ser cuidadosamente realizados pelos times, sempre levando em conta os padrões e as tendências dos clientes atuais, os potenciais novos clientes futuros, os resultados para a empresa e, claro, a otimização de seus próprios processos internos, mantendo um ambiente seguro e inovador de se trabalhar.

 

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