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O que rolou no Web Summit RIO 2023?

Na primeira semana de Maio aconteceu o Web Summit Rio, um dos maiores eventos de tecnologia do mundo. O evento acontece anualmente em Portugal e teve sua primeira edição no Brasil esse ano. Segundo divulgação do próprio evento, Web Summit é “onde o futuro nasce”, e mais de 21 mil pessoas estavam dispostas a participar dessa construção fazendo parte do evento.

Fonte: https://rio.websummit.com/


Como todo evento de grande público e que acontece pela primeira vez em um lugar, o Web Summit 2023 contou com algumas surpresas e desafios, tais como: filas desproporcionais para entrar, comer, assistir uma palestra (eu mesma fiquei de fora de algumas); problemas no áudio em alguns palcos; dificuldade para sair do local do evento.

Mas, ainda assim, se manteve lotado nos 4 dias. E para quem estava lá, assim como eu, não faltaram oportunidades de aprender sobre diversos temas nos vários tipos de palcos que foram montados. 

Os palcos eram divididos por tema e formato do que ia acontecer nele. Por exemplo, existiam espaços que eram apenas para pitchs de startups, assim como espaços que eram para Q&A e espaços para masterclasses mais longas e profundas, entre outros. Além, é claro, dos espaços criados dentro dos stands de empresas patrocinadoras do evento para rodas de conversas e palestras. 

Mas, independentemente de onde se escolhesse ficar, era bem provável ouvir algo relacionado à inteligência artificial, pois esse foi o grande tema do evento, e no último dia, todos nós já tínhamos ouvido sobre IA em absolutamente todos os cenários possíveis. 

Então, separei algumas coisas interessantes que aprendi durante o evento para compartilhar aqui.🙂

1) A importância de sistemas “user friendly” além de seguros

Chelsea Manning, especialista em segurança, trouxe um ponto muito relevante na palestra “Inteligência artificial é melhor com privacidade”, sobre como as pessoas vão escolher quais sistemas utilizar a partir da facilidade de utilizá-los e, por isso, para ela, é extremamente importante que as empresas não se limitem a criar sistemas que sejam apenas seguros, mas não sejam user friendly, pois é preciso que as pessoas queiram utilizar esses sistemas.

Além disso, Chelsea se mostrou bastante animada com os avanços tecnológicos, segundo ela, eles vão permitir que se construa um ambiente de internet mais democrático e menos hostil. 

2) Fintechs e health techs estão com tudo para os fundos

Fonte: Foto da autora

Segundo Gabriel Vasquez, sócio na Andreessen Horowitz, empresa privada de capital de risco, os fundos de investimento estão de olho em empresas que ajudam outras empresas a se organizarem financeiramente, para que estas também sobrevivam e cresçam de forma saudável, nutrindo, assim, o ecossistema. 

Gabriel ressaltou a importância do desenvolvimento de boas infraestruturas para APIs e o quanto a WEB3 é relevante para a tokenização das fintechs brasileiras. E que os fundos têm começado a olhar para as startups de saúde, pois estas geram muito impacto e tem um mercado bem significativo para atuar, afinal, o acesso à saúde hoje ainda é um privilégio para muitas pessoas. 

3) Como conduzir negócios em tempos de incerteza?

Esse foi um dos temas de uma das palestras mais disputadas do evento, afinal, tínhamos muitas startups por lá que têm sentido a dificuldade de captar investimento há um bom tempo, e saber navegar durante esse período difícil pode ser o diferencial para várias delas se manterem vivas. 

Os painelistas ressaltaram que os momentos de dificuldade geram aprendizados e que é extremamente importante voltar ao básico nesses tempos.

Segundo eles, momentos de incerteza são períodos de falta de previsibilidade e visibilidade, o que faz com que seja necessário revisitar o processo, priorizar e abraçar o que é o certo, ou seja, fazer o arroz com feijão bem-feito, porque conforme uma empresa cresce a tendência é que se gere ineficiência, pois a ineficiência gera desperdício.  

Voltar ao básico é focar em eficiência, produtividade, mas também não esquecer de olhar a cultura. Em momentos difíceis, em que estamos pressionados, é difícil manter a cultura, mas é necessário, principalmente para o líder – reforçar a cultura e direcionar a empresa para os pontos que vão fazer o ponteiro virar. 

Hoje, temos ouvido o tempo todo sobre layoffs, desligamentos em massa, porque o mercado contratou muita gente nos tempos de alta, e não conseguiu absorver essas pessoas, nem desenvolvê-las, contratou errado, não fez um bom onboarding, o que tem gerado bastante dificuldade, nessa fase em que estamos passando por baixos investimentos.

Isso ressalta o fato de que é preciso estar atento ao básico em todos os momentos e não apenas nos de crise, pois se a startup consegue gerir bem o pilar gente, o pilar processo e o pilar sistemas durante todos os momentos (bons ou ruins), ela estará muito mais preparada para os tempos de crise.

4) A Inteligência artificial (IA) vai substituir os desenvolvedores?

Fonte: Foto da autora

É óbvio que essa pergunta apareceria em um dos maiores eventos de tecnologia do mundo. E foi em uma palestra sobre o Silicon Valley Way que eu vi uma das melhores e mais simples respostas sobre isso. 

A Camila Manera, CDPO (Chief data and product officer) da Librodepases, respondeu a isso dizendo que não, mas que a IA pode ser uma ferramenta poderosa para aumentar a performance e a produtividade dos times. 

Para exemplificar, ela contou um pouco de como escolheu por onde começar as automatizações com IA na sua empresa. Segundo ela, eles decidiram ouvir os funcionários e então realizaram uma pesquisa simples, com apenas duas perguntas:

  • Que parte do seu trabalho vocês amam fazer?
  • Que parte do seu trabalho vocês odeiam fazer?

Com isso, eles começaram a utilizar a IA para as tarefas que o time respondeu que odiava fazer. Assim, as pessoas poderiam ter mais tempo para fazer as tarefas que amavam e ainda ficavam felizes de não precisarem mais realizar as tarefas que antes odiavam fazer. 

5) “Faça o futuro tão irresistível, que ele se torne inevitável” – Brian Collins

Fonte: Foto da autora

Uma das melhores palestras que participei foi a do Brian Collins, Chief Creative Officer da COLLINS, uma empresa independente de design de estratégia e experiência de marca. 

Como um bom especialista em design, Collins estudou seu público e o contexto local para sua apresentação. Ele começa exaltando a qualidade dos designers brasileiros, citando inclusive o Oscar Niemeyer como um dos grandes designers de todos os tempos e um vídeo da Carmen Miranda sobre a animação e a alegria da música.

Mas isso foi apenas o básico do trabalho feito por Collins nessa palestra. Ele comenta um pouco sobre a provocação que uma vez o Steve Jobs, fundador da Apple, fez para ele sobre como criar coisas “insanely great” (insanamente ótimas, em tradução livre) e ele responde com:

  • Excelente narrativa de histórias
  • Excelente qualidade de tecnologia

Além disso, o palestrante trouxe uma análise da transformação de brand do Spotify, mostrando tela a tela a evolução e explicando em detalhes cada escolha feita e o porquê. Para resumir, poderia dizer que ele reforça a importância da intencionalidade e da surpresa para o design de marca. 

6) Bora trabalhar no exterior?

Andando pelos gigantes pavilhões vimos muitos stands de países divulgando o seu próprio país como um local para as startups abrirem unidades e também como um país para as pessoas de Tech se candidatarem para trabalhar. O grande foco realmente era levar as startups para terem sedes em países como Finlândia, Holanda, Chile, Uruguai, China, Canadá e Áustria. Alguns desses países estavam recrutando profissionais durante o evento para trabalharem por lá. 

O evento teve tanta coisa rolando em tantos espaços diferentes, que eu poderia passar a semana inteira escrevendo sobre ele, mas espero que os destaques que eu selecionei aqui tenham ajudado você a ficar por dentro de um pouco do que aconteceu por lá.

Se você também esteve no evento, comenta aqui as suas percepções, e se você não foi, comenta o que mais gostou do que foi falado aqui. Bora conversar e movimentar o ecossistema, afinal, eu também quero aprender com vocês!:)

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