Escola Koru

Relato do CEO: O que Daniel Spolaor tem a dizer sobre liderança inclusiva

Minha vida profissional foi forjada em culturas muito fortes. Iniciada nos anos 2000, época em que o que dava o tom no mundo corporativo era o crescimento meteórico da economia brasileira e a implantação de robustos sistemas de gestão, os quais pregavam por um cumprimento forte de uma rotina de execução e uma conexão de metas e bônus individuais.

Nas paredes e nos treinamentos das diversas empresas que passei, mantras corporativos pregavam a execução, a presença de campo, metas agressivas, “sarrafo alto”, gente é nosso maior patrimônio.

As escolas de liderança eram também espelhos dessa cultura de execução. Eu me lembro de ter feito diversos treinamentos corporativos e em empresas especializadas tanto em liderança quanto em metodologia e, basicamente, a lógica era correr atrás das metas e orientar o time para fazer o mesmo.

O guia de feedbacks se baseava em mapear com o time as lacunas de performance e compará-las com as metas estabelecidas. Os comportamentos reforçados eram também aqueles ligados à execução, rotina, padronização de processos e solução de problemas.

Processos seletivos se organizavam em torno de testar a resiliência e a resistência à pressão de candidatos. “Nossa empresa não é fácil, então vamos ver se você aguenta”. A uniformidade de candidatos e a capacidade de selecionar perfis específicos eram notáveis, devo dizer. 

Eu me tornei líder nesse ambiente, construí minha carreira, cresci nas organizações onde passei e tenho um orgulho enorme de muito do que foi entregue. Só me escapou uma coisa: iniciei minha jornada como líder focando minha atuação e a dos times que tive o prazer de ter ao meu lado executando tarefas. Questionador que era, arrumava uma forma de fazer do meu jeito. O feedback que sempre recebi foi: “Você precisa se alinhar mais”. Confesso, sempre fui ligeiramente rebelde e relevem o eufemismo do ligeiramente.

Talvez, inconscientemente, eu estivesse exercitando o que hoje me é cobrado das pessoas com quem trabalho: que eu respeite a história, as referências, a cultura, as origens e a individualidade de cada uma delas. Mais do que isso, que ouça também o que cada um tem a dizer.

A cultura corporativa dos anos 2000 acertou em profissionalizar a gestão e a busca por resultados. No entanto, cometeu o erro crasso de achar que problemas se resolvem somente com metodologia de solução de problemas e estatística. Problemas se resolvem com diversidade, referências amplas, óticas distintas, gente DIFERENTE.

As empresas vêm evoluindo e isto é inegável. É também inegociável, questão de sobrevivência. As pessoas querem trabalhar e produzir em ambientes diversos. Querem dar ideias e ser ouvidas. Querem ser parte de um todo que reflita cada rosto, cada crença e cada cor. 

Agora, trabalhando na Korú, vejo o quanto gente diferente é incrível. Sou branco, hétero, homem, represento os 11% da população brasileira do qual faço parte, mas sou parte de um grupo muito privilegiado que, muitas vezes, tem dificuldades de ver a realidade.

Trabalho todos os dias pelos outros 89% que não encontram as mesmas portas abertas que eu encontrei. O maior potencial do Planeta Terra, limitado por vieses, preconceitos e falta de oportunidade.

Minha jornada é um aprendizado diário de ouvir, dar espaço, criar um ambiente onde as pessoas se sintam parte e se sintam bem. É bem difícil construir um negócio assim, devo dizer. Percebo, inclusive, que a Korú sofre com as mesmas barreiras que limitam as oportunidades para a maioria das pessoas no Brasil.

Desconhecimento de gestores, falta de repertório, viés. Uma leitura de que a geração atual é mais difícil e que em nossa época (eu me incluo aqui) não éramos assim. Mimimi. Não da nova geração, mas de gestores que não aprenderam a ser questionados.

Estamos, portanto, nesta jornada de, com mais de quarenta parceiros incríveis, abrir portas e oportunidades por meio da educação. Do letramento de gestores até a formação de quem quiser embarcar nesta conosco. A Korú não é nem uma Edtech e nem um HRtech. Somos a ponte entre o mundo corporativo e a escola, atuando onde há alta demanda por talentos.

Vale cada segundo e cada momento. 

Estava outro dia num processo para bolsistas em que ouvi de uma participante emocionada que ela não esperava encontrar um lugar tão bacana como a Korú, com tanta gente incrível entre os alunos e funcionários. Respondi para ela com os mesmos olhos marejados que eu tenho agora escrevendo este artigo: “Aqui é a cara do Brasil!”.

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