Escola Koru

Jornada de inclusão: como aplicar na própria empresa

Vou ali abrir uma escola: construindo uma jornada de diversidade e inclusão

Passei quinze anos no mundo corporativo, e durante a maior parte deste tempo, posso dizer que me realizei muito. Felizmente, tive oportunidades incríveis, acessei ambientes de aprendizado e desafio enormes, conheci pessoas talentosíssimas e colei no meu “álbum de figurinhas” diversas posições e cargos que não sei nem se mereci de fato.

Eu fiz dois ou três estágios que me valeram muito antes de entrar na empresa em que de fato construí minha carreira. 

Lembro-me que eu e as outras pessoas que faziam estágio nesses lugares ficávamos cheios de orgulho de andar de terno e gravata pela universidade exibindo nosso status de trabalhadores de um banco multinacional. 

A maioria de nós estudava na mesma faculdade, éramos originários dos mesmos colégios. 

Os bastidores disso é que éramos responsáveis por abrir as contas dos clientes, resolver problemas de cartão de crédito e coletar documentos para realizar as mais diversas transações. 

Muito diferente do imaginário que se tem do mercado financeiro e seu poder e influência. 

Fato é que esse “bancão” me ajudou a entrar na empresa em que passei os quatorze anos seguintes. 

Além de mim, 34 pessoas numa turma que tinha sido selecionada dentre as “melhores universidades” do Brasil. Todas as pessoas muito parecidas, com estágios em empresas de primeira linha e toda sorte de experiências excitantes ao longo da vida. 

A sensação do grupo era de que iríamos brilhar naquela empresa, e assim foi. Algumas pessoas saíram e tomaram outros rumos, mas fato é que quem permaneceu acabou indo muito longe na escala corporativa e construindo carreiras de muito sucesso. Posso dizer, inclusive, que este foi também o meu caso. 

É engraçado porque as empresas constroem ambientes que permitem que você passe sua vida inteira ali. 

Empresas bem estruturadas possuem processos de reconhecimento, promoções, remuneração, aprendizado e encantamento que fazem você se sentir plenamente realizado e a melhor pessoa do mundo.

Para além de uma sensação, é possível viver assim e esta foi minha história por muitos e muitos anos. Posso dizer que seria possível seguir ali até me aposentar e eu teria embarcado em muitos outros projetos incríveis e teria sido reconhecido por tudo o que construísse.

Fato é que toda empresa tem uma cultura própria e ela é fundamentalmente cunhada pelos seus fundadores e acionistas majoritários.

Permanecer em qualquer local desses por muitos anos significa que você acredita nessa cultura. Sempre há pontos que você discorda ou faria diferente, mas majoritariamente o que é praticado faz parte também do rol de coisas que você crê.

O grande ponto foi que, com o passar dos anos, fui sentindo que esse ambiente corporativo não era para qualquer pessoa. 

Não que as pessoas não fossem capazes, mas, sim, porque as barreiras para acessar estes lugares eram muito maiores do que eu próprio podia compreender. 

Os processos seletivos privilegiavam certas escolas, os pré-requisitos para as pessoas se candidatarem às vagas e às promoções internas impunham certas barreiras, a leitura de gestores sobre o perfil correto a se promover era bastante definida pelo ambiente que já estava estabelecido ali. Pouco espaço para mudança e para pessoas diferentes. 

Eu tive sorte, porque eu era igual ao perfil que dominava os altos escalões e não encontrei essas barreiras. É muito difícil acreditar que o diferente é necessário quando foram os iguais que tomaram todas as decisões e construíram negócios gigantescos. 

Felizmente, eu estava numa empresa genuinamente interessada em mudar. Ano após ano foram sendo tomadas medidas que abriram mais as portas, davam mais oportunidades, transformaram a cultura numa cultura de mais acolhimento, permitiam que as pessoas diferentes tivessem as mesmas oportunidades. 

Aprendi horrores sobre como fazer isso de maneira estruturada e em larga escala. A maior parte do que aprendi, inclusive, aprendi com aquelas pessoas que passaram anos lutando por mais espaço. De fato a mudança acelerou e me inspirou.

Esse momento mais transformador coincidiu com o período de pandemia. Eu era um dos responsáveis por coordenar as ações para evitar o contágio e proteger as pessoas.

Fomos muito bem-sucedidos e, ao contrário do que se via nos noticiários, o impacto da pandemia nas pessoas que trabalhavam na mesma empresa que eu foi muito menor, embora tenha existido também. O que me tirava o sono estava no que eu via fora dos muros da empresa, com muita gente em muita dificuldade. O que já era a realidade do nosso país estava piorando.

Um dia, liguei para minha mãe e basicamente o que contei pra ela foi: “Vou abrir uma escola”. 

Minha ideia começava e terminava nessa frase. Eu não fazia a mínima ideia de por onde começar ou como fazer. Marquei algumas centenas – e não duvide, centenas – de conversas com pessoas que trabalhavam com educação, recursos humanos, ONGs, fundos de investimento e toda sorte de negócio que era correlato ao problema que eu pretendia tratar. 

Algumas dessas conversas foram com quem hoje são meus sócios e sócias, que compartilhavam do mesmo incômodo e do mesmo sonho.

Passamos, os quatro sócios e sócias, explicando para Deus e o mundo o porquê da nossa decisão e sempre o que tínhamos era mais um sonho do que algo concreto. 

Queríamos um pouco de tudo na nossa escola: qualidade de ensino, acessibilidade para os mais pobres, fazer algo que encantasse as pessoas, que fosse barato, que fosse inclusivo. 

Difícil de explicar, mas foi algo que tomou forma a partir de todo esse estudo e todas as conversas que tivemos com as pessoas certas. Nasceu daí a Escola Korú e, hoje, cuidamos de acolher e formar pessoas para que elas tenham oportunidades reais em vez de viver do que dá.

Fazemos isto por meio de matrículas diretamente na nossa escola ou em parceria com empresas que queiram estruturar seu processo de diversidade, inclusão e aprendizado. 

Nossos clientes hoje compram da Korú os seguintes produtos:

  1. Construção de programas de diversidade e inclusão.
  2. Conscientização e formação de líderes em diversidade e inclusão.
  3. Construção de processos seletivos e formação para pessoas de perfis diversos.
  4. Formação técnica em tecnologia, vendas, marketing e outras carreiras de alta demanda e pouca oferta de pessoas qualificadas.
  5. Formação e aceleração de lideranças.

Aproveito para deixar aqui um pequeno passo a passo, caso queira embarcar nesta jornada que hoje nos realiza tanto.

  1. Olhe para a sua cultura. Ela é acolhedora para os perfis mais diversos? Existem oportunidades suficientes para mulheres, negros e negras, PCDs, pessoas LGBTQIA+?
  2. Colete e analise seus números. Qual a representatividade de cada grupo, em cada área, em cada nível hierárquico?
  3. Descubra como as pessoas se sentem. Respeitadas? Incluídas? Ouvidas?
  4. Forme seus líderes. As lideranças sabem o que é diversidade e inclusão? Sabem se comunicar com os diversos grupos? Sabem tomar decisões privilegiando aspectos de inclusão?
  5. Abra espaço para o debate. Crie grupos de afinidade, dê voz e poder de decisão e influência a esses grupos.
  6. Entenda quais são as habilidades necessárias. Mapeie os grupos menos representados nas diversas áreas do seu negócio e crie programas de educação e formação para que essas pessoas possam crescer.
  7. Forme líderes diversos. Não há inclusão se as lideranças não forem representadas pelos mais diversos perfis de pessoas. Pessoas diversas precisam estar em todos os níveis da organização.

E neste misto de biografia, empreendedorismo e manual de como fazer, encerro meu texto sobre o nascimento e a jornada da Korú. 

Uma ideia que nasceu dois anos atrás, mas que está efetivamente no mercado há pouco mais de um ano e meio, se propondo a transformar o país, e para isso, começando com um pouquinho de cada vez.

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