Escola Koru

É possível se tornar um homem vulnerável com a fraternidade universitária?

Queer Eye está de volta na sua sétima temporada e o seu primeiro episódio já entrega literalmente tudo. 

Para quem não conhece, Queer Eye é uma série americana de 2003 que foi relançada pela Netflix em 2018, e hoje já existe até versão brasileira, de tanto sucesso que ela faz no mundo inteiro. O objetivo do reality show é ajudar pessoas que estejam passando por algum desafio pessoal, e para isso eles contam com cinco especialistas, Bobby Berk (design de interiores), Jonathan Van Ness (cuidados pessoais), Tan France (moda), Antoni Porowski (culinária) e Karamo Brown (cultura), que orientam os participantes durante uma semana inteira de transformações. Juntos, eles trabalham para melhorar diversos aspectos da vida dos participantes, incluindo sua aparência, guarda-roupa, ambiente doméstico, habilidades culinárias e autoconfiança.

O que torna o Queer Eye tão especial é a abordagem inclusiva e diversificada que o programa adota. Os Fab Five são todos membros da comunidade LGBTQIA+ e, por meio de suas histórias e perspectivas únicas, eles buscam promover a aceitação e a compreensão em relação à diversidade. O programa destaca a importância da autenticidade, do respeito e da empatia, incentivando os espectadores a abraçar suas próprias identidades e a valorizar as diferenças nos outros.

É extremamente interessante acompanhar a evolução das pessoas durante todos os episódios, mas quero destacar aqui o ep 7×01, “Uma fraternidade nada comum”, no qual eles ajudam 7 jovens que moram juntos em uma fraternidade universitária. 

O grupo é formado por estudantes que são bastante ativos em ações em prol da comunidade social, mas que estão com limitações financeiras, devido às restrições de eventos (que os ajudavam a levantar fundos) ocorridas durante a pandemia. 

O episódio começa com os Fab Five horrorizados ao chegar na casa, que está imunda e com muitas necessidades de reparos. E o primeiro ponto interessante desse episódio começa aí, quando o Bobby os faz entenderem a importância que aquela casa tem para eles e os coloca para limpar e arrumar tudo antes dele começar a sua parte de transformação dos espaços.

É óbvio que ele tem uma equipe totalmente capaz de fazer aquilo muito mais rápido e melhor, mas é bem significativo dar àquelas pessoas a chance de entender o que significa cuidar do espaço que as turmas passadas deixaram para elas e de construir algo legal para os futuros alunos que podem vir a morar ali também. 

Um outro ponto alto é quando o Karamo coloca esses homens em roda para falarem sobre si, sobre suas dificuldades, suas vulnerabilidades, e os ajuda a entender que eles podem, sim, falar uns com os outros sobre tópicos difíceis, que eles podem chorar e serem ajudados, ajudarem uns aos outros, e que eles não precisam dar conta de tudo sozinhos.  É incrível ver o quão abertos esses meninos se colocam, o peso que é retirado deles e a percepção que eles mesmos têm do fortalecimento da relação de irmandade que estão desenvolvendo ali. 

Agora que eles já sabem cuidar da casa, de si e uns dos outros, o Jon e o Tan entram em ação para ajudá-los a entender e alcançar a melhor versão de si mesmos, com um dia de compras e tratamentos estéticos, afinal, eles estão começando uma nova fase da vida, a construção de uma carreira profissional, e devem se sentir confortáveis e confiantes nos desafios que vão enfrentar durante esse percurso.

No fim, os próprios alunos e moradores da casa organizam um evento, para os ex-membros da fraternidade, eles cozinham para esses ex-alunos uma receita ensinada pelo Antoni, mostram as melhorias do espaço e desempenham seus pitchs para angariar verbas para a fraternidade conseguir voltar a realizar os eventos filantrópicos para a comunidade. É muito emocionante assistir aos depoimentos que eles dão sobre o impacto que essa semana intensa teve neles e o quanto fez com que eles crescessem exponencialmente.

E uma das partes mais tocante é quando Jon, um dos integrantes do Fab Fav, pessoa não binária, fala sobre como foi também para ele um processo de cura ter passado a semana interagindo com jovens de uma fraternidade, pois quando tinha a idade deles, os rapazes de fraternidade não eram legais com ele, por ser uma pessoa fora do padrão masculino dos homens tradicionais.

Foi bom assistir ao tema da vulnerabilidade masculina sendo falado de uma forma tão leve em um programa que é visto por tantas pessoas, tão bom quanto ver esses meninos sendo libertados desses limitadores estruturais da sociedade e ganhando a chance de se tornarem homens melhores para eles e para as pessoas ao seu redor.

 

Post Relacionados

Estamos quase lá!

Estamos quase lá!

Estamos quase lá!

Estamos quase lá!