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É possível usar o CHATGPT como aliado no processo de aprendizagem

Desde que o chatGPT foi lançado, em 2022, muito se fala sobre seu impacto na educação e no processo de aprendizagem dos alunos nos mais diversos níveis educacionais.

A grande preocupação em torno do assunto se dá pelo fato de que o sistema consegue responder perguntas, escrever textos, corrigir atividades, além de muitas outras coisas, e tudo isso em linguagem natural, o que tem feito com que os próprios sistemas detectores de plágio não consigam identificar que o texto não é de autoria dos alunos. 

Os casos já começaram a aparecer, como esse relatado na Tecmundo que mostra a utilização do chatGPT para a criação de um texto de 500 palavras sobre o filósofo David Hume, para um trabalho em uma universidade americana.

Fonte: Tecmundo


O professor alega que percebeu a possibilidade de o texto ter sido feito pela IA devido a linguagem e forma de escrita se distanciarem da usual do aluno em questão. Para confirmar, foi até a ferramenta solicitar a criação de um texto sobre o filósofo e assim pode perceber similaridades na forma de escrita do texto do aluno com o texto apresentado pelo chatGPT.

É bem verdade que a ferramenta lança um novo desafio para o mundo da educação e todos os seus profissionais, isso nos faz refletir sobre a forma de ensinar e o processo de aprendizagem como um todo. O que eu, particularmente, julgo como positivo, afinal, repensar o modelo de ensino e pensar em formas de como utilizar as novas tecnologias para impulsionar a aprendizagem deveria ser uma constante para qualquer profissional da educação.

Existem diversos exemplos de tecnologias que com certeza foram vilãs de sua época até serem compreendidas como aliadas do processo de ensino, e o que as faz pender mais para um lado ou para o outro é a maneira como planejamos a sua utilização de forma intencional.

Vejamos a calculadora, por exemplo, existem muitos estudos que mostram o quão benéfica pode ser a utilização com estudantes, inclusive, segundo Smole (2010), a utilização da calculadora, quando feita de modo planejado, tem um efeito extremamente positivo na resolução de problemas estimulando processos de estimativa e cálculo, ela permite que os professores compartilhem problemas reais, humanizando o processo de aprendizagem, mantendo as aulas atuais e abrindo espaço para esses docentes irem atrás de novas formas de desenvolver o pensamento matemático, não se mostrando uma inibidora dele, mas sim uma estimuladora. 

Com certeza, essa forma de ensinar trouxe um desafio e uma responsabilidade para os professores, que precisam atuar como facilitadores do processo de ensino-aprendizagem, e não vai ser diferente com o chatGPT, será necessário conseguir enxergá-lo como mais uma ferramenta que pode ser utilizada a favor de alunas e alunos nos seus desenvolvimentos para, assim, pensar em formas de utilizá-la planejadamente.

Uma boa forma de fazer isso pode ser por meio de uma tutoria online bem estruturada, que poderá tirar dúvidas simples de alunas e alunos imediatamente, além de ajudá-los no processo de entendimento dos seus erros e caminhos a seguir quando estes se encontrarem travados em um obstáculo.

Segundo Isotani, professor de Computação da USP, que estuda as aplicações de ferramentas de tecnologia para impulsionamento da aprendizagem, o foco precisa ser no processo, no passo a passo, para resolver um problema complexo, agindo como um scaffold, ou seja, um suporte para apoiar alunos a avançarem.

Um exemplo que tem se mostrado com alto potencial é a ferramenta criada pela Khan Academy, que atua guiando o aluno na jornada e não apenas dando a resposta. Essa forma rápida de conseguir ajuda no momento que precisa, agrega muito para que os alunos não se desestimulem no caminho.

E se pararmos para pensar, há anos que estudantes já têm acesso a algo muito parecido com isso ao final de seus livros, o gabarito comentado da atividade, que traz basicamente o mesmo tipo de conceito, mas de uma forma muito mais fria e não personalizada.

Entendo que o desconhecido gera medo e receios, mas não acho que deveríamos colocar toda a nossa energia em discutir se as máquinas vão substituir as nossas profissões, porque acredito que exista uma pergunta mais importante e urgente que esta, que é: 

Como podemos dar o próximo passo em nossas carreiras a partir de uma ferramenta que pode impulsionar os resultados do que fazemos? Até porque, nesse caso, o resultado é uma melhora da educação, e se a educação avança, todo mundo sai ganhando!

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